11 April 2015

Opinion | Da Carolina Tendon, da morte e de como os médicos também sentem


Como muitos de vocês talvez já saibam, eu sou médica.
Ao longo destes anos, naturalmente, já vi algumas pessoas morrerem e muitas outras quase mortas.
Neste momento sou aprendiz de Médica de Família e, sei-o bem, 
irei enfrentar muito mais perdas entre os meus doentes, 
porque o ser humano está longe de ser imortal!

Mas não é por esse motivo que a morte me deixa indiferente, bem pelo contrário!
A morte, para muitos médicos, é o maior antónimo que alguma vez enfrentarão...
e fá-lo-emos, sempre que nos for possível, com os punhos bem cerrados, lutando de forma incansável...
Mas, para todo e qualquer homo sapiens sapiens, a noite derradeira é inevitável!

Positivos como só os detentores de espírito humano podem ser, acreditamos, quase sempre,
que a morte irá chegar quando formos muito velhinhos,
que a nossa família nos irá rodear o leito e encher de palavras meigas,
que a nossa travessia será marcada pelas memórias dos bons momentos que passámos,
que não haverá lugar para arrependimentos...
Mas, tristemente, a vida (ou a morte) nem sempre se desenrola como imaginamos...
  
Nunca tinha ouvido falar da Carolina Tendon...até "a descobrir", por acaso, no Facebook,
As palavras eram simples, pungentes, dolorosas, lindas...
e, rapidamente, as lágrimas afogaram os meus olhos castanhos 
e eu fui recordada de quão frágil a vida humana é,
de que, por vezes, os nossos planos saem furados,
de como estar vivo é uma dádiva inconcebível,
de como aproveitar todos os momentos é realmente importante...
porque nunca sabemos se não serão os últimos!

Sei agora que ela foi aquela jovem da qual se falou nas notícias,
a propósito da sua presumível causa de morte (um tromboembolismo pulmonar),
e da mesma estar potencialmente associada à pílula contraceptiva que tomava, a Yasmin.

A morte desta jovem de 22 anos, que eu provavelmente nunca iria conhecer, tocou-me!
Talvez por ter o nome da minha irmã mais nova;
talvez por estudar veterinária, a medicina para animais, e eu me sentir próxima dela;
talvez por adorar dançar, e eu ter feito ballet durante 13 anos;
talvez porque escrevia, tal como eu, desde os 10 anos de idade;
talvez por ter morrido durante o sono, sozinha, na sua cama,
sem uma única das pessoas que, seguramente, a amavam, para lhe beijar a testa uma última vez;
talvez por, ao invés da Carolina, poder ter sido eu a morrer...
ou qualquer outra jovem mulher, como tu...tu...ou tu!

Descobri também que o namorado e a família da Carolina cumpriram o seu desejo de um dia escrever um livro,
ao publicarem o "De Mim para Mim", que reúne os textos que a jovem escreveu.
Não fiquei indiferente e encomendei-o aqui.
Não a ajudará a regressar ao mundo e a caminhar os passos que lhe estariam destinados,
mas, de alguma forma, será como se a Carolina pudesse viver em cada palavra deixada...

Desejo muita força a todos os familiares, amigos e ao seu namorado...
ver uma vida jovem ceifada nunca é fácil...


P.S.
Gostaria de deixar umas palavras, enquanto médica, em relação aos contraceptivos,
para, potencialmente, ir de encontro às muitas dúvidas que poderão ter surgido ao verem a notícia.
Poderão ler tudo depois do "Read More".


Antes de mais nada, se achavam que as "pílulas" eram absolutamente inócuas, tal não é verdade.
À semelhança de qualquer medicamento, têm inerentes riscos, 
que podem conhecer conversando com o médico prescritor e/ou lendo a bula que vem dentro da caixa.

O que acontece é que, antes da comercialização de qualquer fármaco,
são realizados estudos e testes para avaliar a sua segurança,
sendo que só são aprovados os medicamentos que provem que a probabilidade de ocorrerem efeitos indesejáveis graves é muito baixa,
ou seja, aqueles que são considerados seguros para a população e cujos benefícios do seu uso suplantem os riscos.
É esta a realidade para todos os fármacos aprovados neste momento, face aos estudos actuais.

A trombose, processo que envolve a formação de um coágulo que pode bloquear um vaso sanguíneo,
pode acontecer em homens e mulheres, quer tomem ou não a "pílula".
O seu risco aumenta em mulheres grávidas, devido ao aumento do nível de hormonas sexuais.
Embora em menor proporção, o risco aumenta também em mulheres que utilizem métodos contraceptivos hormonais,
especialmente se fumarem ou estiverem imobilizadas durante muito tempo devido a uma cirurgia, por exemplo.
Numa mulher que não tome "pílulas" combinadas, nem esteja grávida, 
estima-se que cerca de 2 em 10.000 desenvolvam um coágulo sanguíneo num ano.

Raramente, a trombose acontece numa das veias profundas das pernas,
designando-se trombose venosa profunda;
ainda mais raramente, o coágulo sanguíneo formado pode libertar-se e alojar-se numa das artérias pulmonares,
causando um tromboembolismo pulmonar.
Podem ocorre ainda, muito raramente, tromboses arterial, que pode provocar enfartes, AVCs, e outros.
Em 1-2% dos casos, o evento tromboembólico venoso é fatal.

Muitas de vocês estão, provável e compreensivelmente, assustadas. 
Tentarei, nos próximos parágrafos, minimizar isso, esclarecendo/informando sobre alguns pontos:

1.
Os contraceptivos hormonais orais podem ser combinados (estrogénio + progestativo) ou apenas progestativos.

2. 
As "pílulas" são dos métodos anticoncepcionais mais eficazes na prevenção de uma gravidez
e são usados por milhões de mulheres pelo mundo fora, com raros efeitos laterais graves.
Não é à toa que este método é o preferido pela maioria das mulheres!
É geralmente bem tolerado, é prático, é eficaz...e ajudou muitas mulheres a ter uma escolha na sua vida reprodutiva!

3.
Há vários tipos de moléculas usadas e podem saber mais sobre elas consultando os quadros abaixo:

Em termos globais, o etinilestradiol em baixa dosagem (0,15 - 0,50 mg) é o estrogénio da maioria das "pílulas".
Em termos de progestativos, existem 4 gerações deste composto,
sendo que as mais recentes têm menos efeitos androgénicos (masculinizantes).
O levonorgestrel, de 2ª geração, é ainda bastante utilizado e é uma excelente primeira escolha.
Se surgirem problemas de adaptação ou a doente necessitar de uma pílula menos androgénica,
surgem opções como o desogestrel, o gestodeno e, de 4ª geração, a drospirenona e o dienogest.

A Zoely, uma pílula recente, usa compostos mais "naturais" (17 beta-estradiol e nomegestrol),
mas cujo benefício em termos de efeitos laterais ainda não está documentado.


4.
Qualquer método hormonal, em qualquer dosagem, está associado a aumento do risco de trombose!
As "pílulas" progestativas estão associadas a um risco mais baixo,
 e por isso serão os métodos orais preferidos se a pessoa tiver factores de risco pessoais ou familiares.
Quanto às "pílulas" combinadas sabe-se que dosagens mais baixas de estrogénio (0,015-0,03 mg) 
e com os progestativos levonorgestrel, norgestimato ou noretisterona são as, 
actualmente, em termos relativos, apresentam menor risco.
(Estima-se que, por cada 10.000 mulheres a tomar estas "pílulas, 
5 a 7 desenvolverão um coágulo sanguíneo num ano).
Ainda faltam estudos que provem se o dienogest e a cloromadinona têm riscos tromboembólicos sobreponíveis ao levonorgestrel.
Os progestativos drospirenona, gestodeno e desogestrel são os que, face aos estudos actuais, têm um risco relativo maior.
(Estima-se que, por cada 10.000 mulheres a tomar estas "pílulas, 
9 a 12 desenvolverão um coágulo sanguíneo num ano).
A ciproterona, o progestativo usado na Diane 35, está associado a um risco 1,5-2 vezes maior do que o levonorgestrel.

A diferença absoluta, no entanto, é pequena, por isso uma mulher bem adaptada a uma pílula mais recente não tem necessariamente de mudar,
pois os estudos ainda não demonstraram um claro benefício nessa troca.
Deverão, no entanto, estar informadas dos riscos e saber identificar potenciais sintomas de doença venosa profunda
(vide ponto 8).

Adicionalmente, sabe-se que o risco de um evento trombótico é maior no 1º ano de toma de qualquer "pílula",
ou quando se retoma ou reinicia uma "pílula" depois de uma paragem de mais de 1 mês.

5. 
As "pílulas" poderão ser prescritas para tratar acne, dores e irregularidades menstruais,
hirsutismo (aumento do pêlo) e síndrome do ovário poliquístico, entre outras situações clínicas.

Nestes casos, a dosagem de estrogénio utilizada é ligeiramente maior e os progestativos usados são diferentes do levonorgestrel.
Por isso, é recomendado o uso por tempo limitado, sob supervisão médica e direccionado ao tratamento.
Não deixem de ler a "bula" para conhecer todos os potenciais riscos!

6.
A escolha da "pílula" deve ser individualizada e ter em conta os factores de risco de cada uma!

Hábitos tabágicos, obesidade, história de tromboses na família e outros factores têm impacto na indicação do método contraceptivo.
Devem conversar sobre isso com o vosso médico e evitar escolher/decidir tomar a pílula sozinha!

7.
A escolha de utilizar um método contraceptivo hormonal é VOSSA!
Se considerarem que os riscos são demasiado grandes, podem escolher não tomar a "pílula"!
Mas façam-no de uma forma informada, conhecendo a fundo os riscos e benefícios,
e tenham em atenção que devem procurar métodos alternativos eficazes para evitar uma possível gravidez!

8.
Se estão a tomar a pílula e sentirem algum destes sintomas, 
contactem imediatamente um médico ou recorram ao serviço de urgência:

Sintomas potenciais de trombose venosa profunda:

- inchaço unilateral da perna e/ou pé ou ao longo de uma veia na perna; 
- dor ou sensibilidade na perna que pode ser sentida apenas quando está de pé ou a andar; 
- calor aumentado na perna afectada; 
- pele vermelha ou descolorada na perna. 

Sintomas potenciais de tromboembolismo pulmonar:

- início súbito de falta de ar ou respiração acelerada inexplicáveis; 
- tosse repentina que pode ser associada a hemoptise (expectoração com muito sangue);
- dor aguda no peito; 
- tonturas ou confusão mental graves;
- batimento cardíaco rápido ou irregular.


Esta publicação foi feita face ao que se sabe, em termos de estudos internacionais, na presente data.
Como podem compreender, a medicina está sempre em mudança e evolução, por isso nada é estanque!
Tudo o que referi tem validade científica e serve para ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre as "pílulas".

Se tiverem alguma dúvida adicional, não deixem de espreitar o site contracecao.ptmuito bem feito,
ou então enviem-me por e-mail: myfashioninsiderblog@gmail.com ou através da página do Facebook.
O que não souber, terei todo o gosto em pesquisar para poder responder.

Se gostavam que fizesse uma publicação específica sobre métodos anticonceptivos,
nomeadamente aqueles menos divulgados como a anel vaginal e o implante,
deixem nos comentários!

quadros utilizados provenientes do Consenso de Contracepção de 2011

37 comments:

  1. é por isto que adoro seguir o teu blog, nádia :)

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  2. Eu não consigo imaginar uma dor assim.
    Se a pessoa com quem mais planos no futuro eu ambiciono não estivesse cá mais... Não consigo mesmo imaginar...

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  3. Tinha pensado mudar para implante porque li um artigo em que referia que o risco era mais baixo. Não sei se compensa ou não, mas tenho 25 anos e já tenho derrames nas pernas por isso... acho que os meu sistema vascular não é muito famoso. Anyway, já tenho consulta marcada :/ A Carolina era super activa, não fumava, não bebia e tinha uma alimentação exemplar. Fico sempre a pensar que era mais justo ter sido eu, ou qualquer outra pessoa que cumprisse os requisitos. Ainda hoje não percebo bem o que aconteceu.

    Depois diz o que achaste do livro :)
    Beijinhos

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    1. Se tens problemas de circulação e antecedentes familiares de varizes, por exemplo, é um bom motivo para tentares experimentar um método hormonal progestativo, seja uma "pílula" ou um implante!

      Quanto ao que disseste no fim, não há qualquer justiça nestas coisas...ninguém merece morrer mais do que outra pessoa...infelizmente, são coisas que acontecem :(

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  4. Excelente post :) bom trabalho em manter a malta informada. Esta notícia é triste, mss é como dizes, é preciso filtrar a informação e estar bem ciente dos riscos e benefícios, sem alaridos!

    Dúvida: as pílulas habitualmente fornecidas nas consultas de planeamento familiar são de que tipo? Eu tomo a Minigest :) **

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    1. Olá, Joana! As pílulas do centro de saúde são habitualmente de baixa dosagem de estrogénios e o progestativo habitualmente é de 2ª ou 3ª geração.

      A minigeste é 0.02 mg etinilestradiol + 0.075 mg gestodeno, de 3ª geração.

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  5. por causa disto é que nunca tomei pilula - isto e o risco de HIV que só o preservativo e a abstinência sexual (nunca fez parte das minhas crenças, loool) poderem minimizar. Lembro-mde de na minha juventude as minhas amigas troçarem de mim por não tomar a pilula, fazendo-me quase sentir uma anormaloide, mas sempre fiz finca pé comigo mesma e me recusei - até porque namorar a sério, tipo relação estável e monogâmica só fez parte do meu lifestyle depois dos 20 e muitos anos. Nem hoje em dia, casada e mãe de filho, tomo pilula. Independentement disso, não stou livre de ser atropelada numa passadeira, ou de ter um aneurisma, ou de... enfim, infelizmente não sou vampira por isso não sou imortal. Estas mortes assim custam muito mais, por serem inesperadas, ao contrário de mortes por doença prolongada, que apesar de parecerem tão injustas - a morte de uma pessoa jovem, de uma criança, mexe muito comigo, demasiado, acho sempre uma grande injustiça e fico deprimida horas a fio se sei de alguma noticia dessas, mas não podemos viver alheados, por isso tenho de me resignar. Quando vejo jovens a morrerem na flor da idade lembro-me sempre de um caso que me marcou muito, uma jovem norte americana, da comunidade gótica, com a qual falava via net, e que teve um cancro do qual pareceu curar-se para de repente, numa noite se sentir mal, dar entrada no hospital e falecer no prazo de 3 dias. Foi mesmo chocante, na altura erámos quase da mesma idade e fez-me ver que eu mesma não era imortal.
    http://bloglairdutemps.blogspot.pt/

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    1. Sim, é uma importante ressalva essa: "pílulas" não protegem de doenças sexualmente transmissíveis!

      Percebo-te, quando morre uma pessoa tão nova tem um grande impacto :(

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  6. Nadia não posso deixar de fazer as seguintes correções: quando ao ponto 5. As pílulas que menciona para o acne, são tratamentos dermatológicos e não contraceptivos não devendo ser identificados como tal devido aos riscos associados à sua utilização. Quanto aos contraceptivos mais antigos, não mencionou Dienogest, que não sendo um contraceptivo de 4a geração tem efeitos antiandrogenicos (menos masculinizastes que o levenorgestrel) ajudando na redução do acne e oleosidade do cabelo, com benefício/risco no mesmo nível do mais seguro, levenorgestrel segundo últimos dados

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    1. Agradeço as correcções. :)

      Eu vejo sempre as "pílulas" como classe contraceptiva, podem é ter uma série de benefícios fora desse ramo, mas a investigação foi feita no sentido de serem anticoncepcionais. As "pílulas" com níveis de estrogénio mais elevado começaram por ser contraceptivos e depois, pelos riscos aumentados, foram reservadas a situações de tratamento mais específico. Ainda conheço casos de pessoas que usam a Diane 35, por exemplo, como a sua pílula contraceptiva, sem terem qualquer tipo de problema como acne ou outros.

      Quanto ao Dienogest, segundo os dados que tenho, incluindo o Consenso sobre Contracepção mais actualizado a nível nacional, ele é um novo progestativo, e não tenho informação de que já tenham sido realizados estudos comparativos entre o Dienogest e o Levonorgestrel, os últimos de que tenho conhecimento foram com a drosperinona. Poderias enviar-me o link para esse artigo científico? Não o consigo encontrar no Medscape nem noutro motor de busca oficial... Obrigada :)

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  7. Olá Nádia, gostaria de começar por agradecer pelo post, para mim de grande interesse e importancia.
    A minha filha está quase a completar 23 anos, começou a tomar a pilula aos 19 devido à irregularidade do mesmo e acne. Na altura indicaram-lhe a Diane 35 no centro de saude, deu-se sempre bem até ter surgido aquela duvida devido ao problema em França.
    Entretanto foi a uma consulta com uma ginecologista saiu de lá com uma receita da yasmin sem nenhuma analise, simplesmente porque sim, devo dizer que a minha filha tem problemas de circulação e já algumas varizes. Com tudo isto neste momento deixou de tomar à um mês pelo receio do que ouviu mas já tem o rosto com imensas borbulhas...
    Peço desculpa pelo enorme desabafo mas neste momento nem sei o que devo pensar, tomar ou não...Beijinhos e obrigado por estar desse lado :)

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    1. Olá Felicidade! :)
      Antes de mais nada, numa mulher saudável sem qualquer antecedentes de maior, não é necessário fazer análises antes de iniciar uma "pílula", por isso nesse ponto não há problema.

      Não há provas claras de que ter varizes ou problemas de circulação venosa superficial esteja directamente relacionado com as tromboses profundas, por isso esse factor da sua filha, por si só, não é de risco.

      No entanto, face ao estudos actuais, a Yasmin apresenta um progestativo, a drospirenona, que tem um risco relativo superior de eventos trombóticos comparativamente a uma pílula que tenha o progestativo levonorgestrel, como a "pílula" Miranova, por exemplo. A diferença absoluta não é muita, atenção, mas a decisão de tomar ou não tomar deve ser feita tendo em conta este aspecto e nunca escondendo-o. Pode consultar a bula da Yasmin para maior detalhe quanto às comparações: http://www.infarmed.pt/infomed/download_ficheiro.php?med_id=30078&tipo_doc=rcm

      Quanto às pílulas com levonorgestrel, que eu referi, não têm indicação para redução de acne, já que não têm efeitos anti-androgénicos. Por isso, não são uma opção para este tipo de tratamento.

      Convém referir que a toma de um medicamento, seja para que fim, acarreta sempre prós e contras. A toma de um simples "Ben-u-Ron", por vezes, pode ser perigosa, por exemplo. No final, cada pessoa tem de perceber se considera que os benefícios da toma de um fármaco suplantam os riscos, embora muito baixos, de que as coisas possam correr menos bem. Não há respostas correctas.
      Beijinhos :) Qualquer dúvida adicional, disponha.

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    2. Obrigado Nádia. É verdade todos os medicamentos podem ter mesmo os dois lados só que por vezes todos estas situações que aparecem assustam-nos de uma forma incrível, principalmente quando o assunto são os nossos filhos. Mais uma vez agradeço o post, mais ainda, a forma como ajudou, bjinhos.

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    3. Sem dúvida, compreendo perfeitamente! Nunca queremos que a "baixa probabilidade" de um risco afecte quem amamos!

      Beijinhos

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  8. Adorei este post Nádia. Fiquei rendida à forma como explicaste tudinho e a mim, acalmaste-me muito!
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  9. Olá, Nádia. Este assunto deixa-me assustada. Tomo Yasmin. Comecei há uns anos por causa do acne (tardio, na casa dos 20) e possivelmente por causa de um polipo no útero (que entretanto desapareceu).
    Agora tomo por motivos contraceptivos apesar de querer manter a minha pele com bom aspecto também.
    Aliás, a minha pele ficou logo óptima, mas agora pergunto-me o que acontecerá se deixar de tomar esta pílula. Todas as pílulas podem ajudar no aspecto da pele?
    Como me dei bem com a pílula, não pensei mudar. Sempre achei que estes riscos associados à pílula eram gerais, mas agora vejo que esta é mais "perigosa". É verdade?
    Andei a ler... Quer dizer que não é aconselhável tomar esta pílula durante muito tempo e que deve ser usada só durante um período de "tratamento"? Também li que esta pílula não causa ganho de peso. Todas as outras causam?
    Também li que esta pílula não deve se tomada por mulheres acima dos 35 anos, fumadores e com outras problemas.
    Posso concluir que, daqui a uns anos, quanto tiver 35 anos ou um pouco mais, convém mudar para outra pílula?

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    1. Olá, Bárbara!

      Ora bem, vamos por pontos:

      1. Não, nem todas as "pílulas" melhoram o aspecto da pele. No quadro que coloquei lá em cima, os progestativos que podem possivelmente actuar no acne são as que têm +/++/+++ na posição de anti-androgénicos.

      2. Quanto à Yasmin ser "mais perigosa", o risco relativo de eventos trombóticos é de facto ligeiramente maior face ao uso de "pílulas" com levonorgestrel, como a "pílula" Miranova, mas a diferença absoluta não é muito significativa. No entanto, a decisão de mudar parte de ti, claro, e convém que tenhas toda a informação necessária para dar esse passo. Adicionalmente, o risco de um evento trombótico profundo é maior no 1º ano de toma e depois desce bastante, e também pode aumentar ao retomares a "pílula" depois de um período de paragem de mais de 1 mês.

      3. Se o uso destes medicamentos for no sentido de tratar condições particulares, como acne, é conveniente que o seu uso seja limitado, sim, e que depois se tente trocar para outra pílula. Mas tal não é uma regra, é antes uma recomendação actual, face aos estudos mais recentes, e há muitas pessoas que tomam a Yasmin há vários anos, sem qualquer problema.

      4. A drosperinona usada na Yasmin tem um efeito anti-mineralocorticoide, como podes ver no quadro lá em cima, e isso significa que pode diminuir um pouco a retenção de líquidos, daí dizer-se que não causa aumento de peso. Mas não é necessariamente verdade que as outras causem aumento de peso. Algumas pessoas sofrem um bocadinho de aumento da retenção de líquidos no início da toma da "pílula", mas isso depois normaliza.

      5. Todas as "pílulas" combinadas, como é o caso da Yasmin, têm factores de contra-indicação relativos e absolutos nos quais se incluem os que referiste, e deve ser tudo somado e ponderado quando se decide o método anticonceptivo.

      Basicamente, não existe ainda uma "pílula milagrosa", que melhore a pele, não causa retenção hídrica e tenho o mínimo de riscos possíveis...por isso tem tudo de ser ponderado tendo em conta os teus antecedentes pessoais e familiares e conversado com o teu médico/a.

      Se tiveres mais alguma dúvida, dispõe!

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    2. Obrigada. É um assunto complexo, pelo menos para mim. Não sei qual seria a pílula ideal para mim. O que sinto é que esta tem muitas vantagens, excepto o facto de ser perigosa em efeitos secundários possíveis.......

      Apenas um reparo em relação a "ir de encontro às dúvidas", o correcto seria "ir ao encontro das dúvidas". "Ir de encontro a" é embater. "Ir ao encontro de" é ir nessa direcção.

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    3. É verdade, é um assunto complexo, é uma questão de pesar tudo numa balança e reflectir!

      Sim, tens razão :)

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  10. Olá Nádia! Aos 21 anos, por estar farta de tentar vários tratamentos dermatológicos e não ver melhorias a nível do acne decidi começar a tomar a pílula. Consultei um dermatologista e expliquei o que pretendia e foi-me receitada a pílula Clarissa.
    Entretanto já são dois anos de toma, nos quais a minha pele mudou e melhorou substancialmente. Por outro lado, verifiquei também alguns contras como um aumento significativo da retenção de líquidos e celulite e o aparecimento de derrames (já tinha alguns, devido à má circulação, e só aumentou). Como sou estudante e passo grande parte do meu dia sentada é provável que o sedentarismo também seja responsável por isto!
    Neste momento além da questão da pele tomo também por motivos contraceptivos. Gostaria de deixar, por todos os efeitos secundários que mencionei, mas tenho um pavor terrível de voltar a ter a pele como tinha antes.
    Questionei-me se trocando para outra pílula talvez poderia ter menos consequências a esse nível... A pílula que tomo é considerada apropriada para o tratamento do acne? E na tua opinião, pensas que teria menos efeitos secundários com outra pílula?
    Agradeço desde já a ajuda, já pensei em esclarecer-me junto da minha médica de família mas a verdade é que infelizmente tenho provas dadas de que é o mesmo que não perguntar nada.

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    1. Olá, Ana!
      A pílula que tomas tem uma baixa dosagem de estrogénio e o progestativo cloromadinona, que tem efeito anti-androgénico e por isso pode ajudar a melhorar o acne, que foi o que aconteceu contigo.
      No que diz respeito aos efeitos que referiste, parece-me que eles são provavelmente resultantes de estilo de vida, já que a maioria das "pílulas" só causa, potencialmente, alguma retenção de líquidos no início, e depois isso normaliza. Os hábitos sedentários, não praticar exercício, não comer adequadamente e o facto do nosso metabolismo ir mudando faz com que a tendência para engordar e ter celulite aumente.
      Agora, nada invalida que outra pílula, como uma contendo drospirenona, não pudesse dar uma ajudinha na retenção de líquidos, devido ao efeito anti-mineralocorticóide (assinalado no 2º quadro rosa)...com a ressalva de que os estudos mais recentes apontam para um ligeiro aumento do risco de eventos trombóticos.
      Quanto à cloromadinona, ainda não se sabe exactamente qual é o seu risco de eventos trombóticos face aos restantes progestativos, ainda são necessários mais estudos.

      Nas "pílulas", como à semelhança de outros medicamentos, é necessário medir bem os prós e os contras, com a certeza de que não há respostas certas nem erradas, mas uma que se adapte a cada mulher e aos seus antecedentes pessoais e familiares.

      Para mais informações, podes espreitar a bula da Clarissa e se tiveres alguma dúvida, não hesites: http://www.infarmed.pt/infomed/download_ficheiro.php?med_id=51354&tipo_doc=rcm

      beijinhos

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    2. Foste bastante esclarecedora! Já tinha lido a bula e estava ciente dos prós, contras e antecedentes a ter em conta (sou um bocado paranóica com isso, não tomo nada sem ler a bula antes). No entanto, por não me conseguir esclarecer com a médica de família em relação a este assunto tive sempre a dúvida de se não seria isto que estaria a causar o tal aumento de derrames.
      Obrigada, não só pela disponibilidade em esclarecer as dúvidas como pelo post, penso que foi bastante informativo! :)

      beijinhos

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  11. A Carolina era uma das minhas melhores amigas. Tenho um espacinho no meu blog dedicado a ela. Também escrevi um texto a fazer um esclarecimento sobre a pílula, tal como o teu (mas não tão extenso nem tão pormenorizado).
    Ela era de facto uma rapariga muito saudável, não fumava, só bebia em festas e não era muito, fazia exercício e comia comida saudável.
    Mas ainda assim, esse tipo de situações não se conseguem prever.
    É uma dor muito grande que ainda sinto todos os dias, mas o Pedro, ao compilar este livro, trouxe-nos um pouco de paz. Apesar de ela ter partido, vai sempre continuar pelas suas palavras e inspiração. Vai ser continuar nos nossos pensamentos e no nosso coração.

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    1. Lamento muito a tua perda! Muita força!

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  12. Mas que excelente ideia para um Post!
    Confesso que desde 2006 me tenho deparado com algumas notícias (não propriamente imensas, mas com a sua relevância!) de casos semelhantes a este, envolvendo a pílula Yasmin. É precisamente a pílula que tomo, que me foi indicada pelo endocrinologista, já há cerca de 10 anos, pelo menos. Confesso que inicialmente não fiquei propriamente alarmada, porque sabemos bem os riscos inerentes e que há certos factores da própria pessoa que podem ser mais propícios a que estas coisas aconteçam. No entanto, a minha mãe tem insistido comigo no sentido de rever a toma desta pílula.
    Estou algo reticente. Pratico desporto, não tenho excesso de peso, nunca tive problemas (cardíacos ou afins) com esta pílula nem fora dela. Aliás, uma vez tentei até mudar para a Diane35, por ser bem mais barata, e detestei. Tive logo náuseas, sentia-me mal... Coisa que com a Yasmin nunca aconteceu.

    Basicamente, enquanto médica e tendo sempre presente a ideia de que estes pequenos "conselhos" nunca substituem uma ida ao médico, no sentido de se conhecer o historial do doente... Achas que há motivo de alarme?

    Um grande beijinho, conterrânea! :)
    M.

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    1. Olá! :)

      O risco de eventos trombóticos é maior no 1º ano da toma de qualquer pílula!

      Por isso, se te dás bem com a Yasmin, se não tens factores de risco pessoais nem familiares, não é obrigatório que troques de "pílula". Deves estar bem informada e saber reconhecer bem os chamados sinais de alarme para recorreres rapidamente ao médico no caso de, com baixa probabilidade, algum evento trombótico ocorrer.

      Beijinhos, qualquer outra dúvida, dispõe! :*

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  13. Olá Nádia, é sempre bom que existam pessoas como tu, que se disponibilizam para dar alguns conselhos e informação sobre este assunto delicado. Fico assustada com o quão do nada pode acontecer isto a alguém :/ Eu tomo a arankelle, que penso ser um genérico da yasminelle. Tem alguma conexão com a Yasmin?

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    1. Olá, Penélope!
      A Arankelle tem o mesmo progestativo que a Yasmin, a Drospirenona, e por isso um risco de eventos trombóticos sobreponível.
      No entanto, se estás bem adaptada a esta pílula, não é obrigatório que mudes, a diferença absoluta entre pílulas não é considerável. Convém é que estejas bem informada dos riscos e dos sintomas/sinais de alarme do ponto 8, para rapidamente recorreres a um médico, se necessário!

      Qualquer dúvida adicional, não hesites!

      Beijinhos

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  14. Obrigda Nádia, foi um artigo sincero, caloro e acima de tudo esclarecedor :) eu tomo a Yaz há quase 6 anos, e para ser sincera, o meu maior medo é o potencial risco aumentado para o cancro da mama... Especialmente porque eu própria já tive uma doença oncológica. Embora esta pílula fosse receitada pela minha oncologista, ela disse-me explicitamente que não deveria tomar qualquer outra e que deveria ter sempre muito cuidado.
    E preocupam-me também possibilidades de redução da fertilidade, admito.
    Estou a ser tolinha, ou tenho realmente razões para me preocupar?
    Um beijinho :)

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    1. Olá, Cátia!
      Não há relações de causalidade claras entre o uso de "pílulas" combinadas e o cancro da mama. O que fazemos hoje em dia é desaconselhar quem teve/tem cancro da mama ou tem familiares com cancro da mama, especialmente aqueles que são hormono-sensíveis, a não usar este método contraceptivo.

      Quanto à fertilidade, não há evidências de que cause qualquer problema! :)

      Beijinhos

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  15. Olá, eu tomo a pílula minigeste a 2 anos para controlar o período e os níveis de ferro só que o meu colestrol o ano passado estava a 273 e estou assustada porque não sei que fazer. Tenho 18 anos

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    1. Olá, Ana!
      Não é comum que a minigeste ou a maior parte das "pílulas" interfira com o colesterol...embora possa acontecer.
      Já tinhas feito análises desse tipo antes (pergunto porque por vezes as pessoas têm tendência a ter níveis de colesterol mais alto, por patologias hereditárias e familiares).
      Como estavam os triglicerídeos e o colesterol HDL (o "colesterol bom")?
      Reduzir o colesterol depende da alimentação que fazemos e do exercício que praticamos. O teu médico de família poderá aconselhar-te sobre isso (se o tiveres). Se, mesmo depois de certos cuidados, mantiveres um nível alto, poderás pensar em mudar de pílula e ver se há alguma alteração.

      Beijinhos :*

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  16. Boa noite Nádia

    Por ironia, também eu sou veterinária. Com 25 anos, pouco tempo depois de terminar o meu curso e 1 ano após iniciar a toma da pílula (Minulet), desenvolvi uma tromboembolia pulmonar. Até aquele momento, sempre fui saudável. Depois de realizar análises genéticas, percebi que tenho tendência hereditária para trombofilias.

    Infelizmente, terei de fazer anticoagulante "ad eternum".

    Deixo aqui o meu testemunho, como forma de alerta para outras mulheres.

    Beijinhos ;)*

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  17. Olá Dr.Nádia :)
    Consultei a minha ginecologista porque desde à 1 ano para cá que notei que me começaram a aparecer imensos pelos pelo corpo em zonas que não são normais de uma mulher ter (costas, barriga, etc) e descobri que tenho ovários poliquisticos, a minha ginecologista passou-me a Denille e fiz por 3 meses, agora que fui a uma nova consulta disse que os ovários estavam controlados e receitou-me a arankelle por ser menos "forte" e que como sou muito magrinha a Diane 35 podia não ser boa (que era a primeira escolha para tratar o problema dos pelos). Mas o meu medo é que, por aquilo que li, a arankelle é quase tão perigosa quanto a diane e não trata aquilo que eu mais queria, que era o excesso de pêlo, o que devo fazer?
    Obrigada :)

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    1. Olá! :)

      A Arankelle tem drospirenona que tem efeito anti-androgénico (não tanto quanto a diane 35), o que significa que combate o excesso de pêlo. Por isso, nessa vertente, funciona para o efeito pretendido! Quanto ao risco de tromboembolismo, tanto a Arankelle como a Diane 35 são sobreponíveis, sim.

      A pílula é algo muito pessoal e quando "nos damos bem" com uma, geralmente não se muda, a não ser que haja justificação para tal...é algo para discutir junto da sua Ginecologista. :) Eu diria que se estava controlada com a Denille em termos de pêlos (esta pílula tem dienogest), não vejo grande justificação em mudar, até porque parece (embora ainda faltem estudos mais sólidos), que tem um risco de tromboembolismo mais baixo dentro das pílulas que atuam nos pêlos (e outros problemas semelhantes). Tem uma dosagem de estrogénio ligeiramente maior do que a arankelle, mas são ambas de baixa dosagem, por isso nesse aspecto não há grande diferença. A "força" de uma pílula varia muito de mulher para mulher, há mulheres que se dão bem com pílulas que outras nem podem chegar perto...

      No entanto, há que salientar que TODOS os métodos hormonais são um risco, uma coisa são percentagens, outra coisa são as pessoas às quais acontecem as coisas...tanto pode acontecer com umas, como com outras, por isso, em estrito rigor, as diferenças acabam por não ser muito significativas entre pílulas, devemos é saber os riscos e ponderar se queremos ou não corrê-los. :)

      Espero ter ajudado!

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